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“(...) A sensação de infelicidade é muito mais fácil de se transmitir do que a de felicidade. Na tristeza, parecemos estar conscientes da nossa própria existência, muito embora sob a forma de um monstruoso egocentrismo: esta dor é minha, este nervo que estremece pertence a mim e a mais ninguém. Mas a felicidade nos anula: perdemos nossa identidade. Palavras de amor humano foram usadas pelos santos para descrever sua visão de Deus; e da mesma forma poderíamos usar termos de prece, meditação, contemplação, para explicar a intensidade do amor que sentimos por uma mulher. Também renunciamos à memória, ao intelecto, à inteligência e também sentimos a privação, a noche oscura e, às vezes, como uma recompensa, uma espécie de paz. O ato do amor em si mesmo tem sido descrito como uma pequena morte, e os amantes, às vezes, experimentam também uma pequena paz. É estranho me ver escrevendo estas frases como se amasse o que, de fato, odeio. Às vezes não reconheço meus próprios pensamentos. O que sei de expressões como a ‘noite escura’ ou de orações? Eu as herdei, é tudo, como um marido que é deixado, pela morte, na posse inútil de roupas, perfumes, potes de creme da mulher...E, no entanto, havia essa paz...(...)”
GREENE, Graham. Fim de Caso.

