Por hoje
Do que eu estava falando mesmo? Ah, sim. Daquela música que tocou de manhã no rádio. Pois é, passei boa parte da vida achando que era uma balada romântica, até o dia em que prestei atenção e descobri – tóim! – que era uma canção pro Nelson Mandela. Então, quando escutei o rádio hoje, me lembrei e ri sozinha da minha própria bobagem. Mas tudo bem, ué. De todo jeito é uma canção de amor e isso estava entendido. O que mais? Os gatos continuam miando para avisar que vai chover. O cachorro sempre late quando eu toco a campainha de casa nas vezes em que esqueço a chave. Não é estranhamento, mas alguma bronca por conta da distração. A sacola de planos anda meio vazia. Então existe bastante espaço para carregar as novidades. Tá vendo? Estou colocando em prática os seus conselhos a respeito de lembrar de olhar as coisas pelo outro lado. E continuo pensando que você poderia aceitar esse risco também. Aquele prédio grandão? Eles derrubaram. Logo mais vão erguer um desses condomínios malucos com tudo incluso, tudo privativo, opressivo, muito seguro. Nesse meio tempo, no vazio que ficou se pode ver uma paisagem bonita no cair da tarde. Quando passo lá na frente, penso em fazer uma foto na manhã seguinte. Mas esqueço da máquina fotográfica todo dia no caminho entre a cama e o chuveiro, igual acontece com a idéia de começar uma terapia. Novas construções virão, e novas demolições, e novas construções. Bom, é isso. No geral, acho que tem muita gente que parou de falar e deixou de escrever. Não podem mais. Ou simplesmente estão fora de forma. Para recuperar a forma há a prática, há o jejum. E deve ter mais alguma coisa que é claro que não me lembro agora. Por hoje, eu já pratiquei. E como também estou de contenção, vou parando por aqui. Sim. Fim.


Alguns foram a pé.
Outros a cavalo.

